terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Resposta ao GBOEX (1)


O GBOEX emitiu nota de “esclarecimentos” para rebater as denúncias feitas sobre a maquiavélica operação de expulsão dos 170.000 sócios que começaram a contribuir para a caixa de pecúlios, lá nos anos 60, e que deveria ter sido liquidada, em 1981, quando este grupo de oficiais do Exército assumiu o comando da entidade, integrantes que são do MLD – Movimento Luta e Diálogo, fundado por Iese Rego Alves Neves.
 
A nota tem a cara do Renk que se intitula Diretor-Presidente do GBOEX, o que não é. Na realidade ele é o presidente executivo porque o Presidente do GBOEX é o coronel Carneiro (art. 20 do Estatuto).
 
Em um texto de cunho apelativo busca atingir o lado emocional dos menos informados com deslavadas mentiras para desmerecer a fonte das denúncias sobre a inadequada gestão da carteira de pecúlios o que acaba de ser referendado pelo parecer do MPF que apontou como causa dos problemas atuais a “má gerência administrativa” de um plano de pecúlios que ao comercializarem, nos anos 60, já sabiam que não poderiam cumprir com o contratado.
 
Vou dividir a resposta a esta nota de esclarecimento do Renk em duas: uma sobre o GBOEX e outra sobre os ataques pessoais, as mentiras deslavadas que ele, Renk, vem repetindo desde os tempos em que era gerente da filial de Santa Maria e corria o interior RS repetindo os mesmos chavões que hoje utiliza para tentar esconder a realidade que aflora todos os dias com irados pedidos de exclusão.  
 
No fim dos anos 70, acusavam o grupo dominante que eles apearam do poder de que queriam perpetuar-se, usufruir até a quebra final”, porque já sabiam que “a entidade extinguia-se, pois a falta de renovação do quadro social é uma doença fatal e incurável” e que “cumpria enganar os associados”, pois o MLD assumiu o poder e não só não liquidou o condenado plano de pecúlios como o duplicou, em 1990. Somente em 2003 a SUSEP detectou que o patrimônio da entidade vinha desde 1998 sofrendo perdas mensais da ordem de R$ 3.000.000,00. Isso só aconteceu porque eu, Péricles, denunciei e a SUSEP comprovou em fiscalização. Hoje, as perdas patrimoniais passam dos R$ 400 milhões. O GBOEX projeta perdas de R$ 560 milhões, até o ano de 2020.

Isso não é fruto de mentes iradas e alarmistas, mas oriundas de relatórios da SUSEP e do planejamento do GBOEX. Clique  Os coveiros do GBOEX e nos demais textos que verá a verdade até agora incontestável sobre o GBOEX.
 
Lamuriando-se sobre a feroz concorrência com grupos financeiros que dominam a previdência privada, orgulham-se, de que “diferente desses, o GBOEX prossegue suas atividades como uma das poucas entidades de previdência privada do país sem fins lucrativos”.
 
Orgulham-se de serem diferentes “desses”, as empresas de previdência privada dirigidas por profissionais experientes e preparados, cônscios de que tocam um negócio de bilhões de reais, Reconhecem que foram se tornando um “grupo de poucas entidades”, sendo o GBOEX dirigido por “militares conforme preconiza o seu Estatuto”, militares que saem dos quartéis, direto para exercer funções cada vez mais complexas em um mercado disputadíssimo. Não desconfiam que integram um grupo em extinção.
 
Esta conclusão não é minha, mas da CPI da Previdência Privada (Câmara dos Deputados, 1996), ao analisar GBOEX e demais entidades: “Legalmente ainda se enquadram como entidades de previdência, mas suas atividades não apresentam correlação que justifique esse enquadramento. O vínculo com a previdência privada se dá pela associação de pessoas via pecúlios, que nunca são comprados espontaneamente em função do produto, mas sim vendidos, acompanhados de promessas de empréstimos e outros artifícios”.
 
E continua o relatório da CPI: “Os montepios hoje se encontram reduzidos a 35 entidades, das quais 31 estão em operação. Os 3 maiores nesse critério, GBOEX, CAPEMI e APLUB, absorvem 80% do ativo global das entidades abertas sem fins lucrativos”.

GBOEX não evoluiu nos últimos cinqüenta anos permanecendo sempre uma caixa de pecúlios marcada por uma inconsistência atuarial de natureza estrutural, cujo déficit nunca foi enfrentado, mas “empurrado com a barriga” ao arrepio da legislação, nunca buscando uma solução tecnicamente correta, uma solução de mercado. Engessaram o GBOEX para que se mantivesse à altura das suas competências.
 
Os alegados “novos produtos com atrativos e diferenciais competitivos” não passam de combinações de pecúlio, seguro de acidentes pessoais e de um cartão de convênios que proporciona descontos na rede conveniada. A vantagem competitiva do empréstimo já não mais existe, diante da concorrência dos bancos.
 
Não participei da gestão Iese Rego Alves Neves, fundador do MLD e líder desse grupo de oficiais do Exército que comanda o GBOEX. Nunca fui empregado do GBOEX.
 
Em maio de 1997, todos se esforçaram para dar mais uma vitória para o velho MLD, reelegendo Iese para o seu último mandato como conselheiro, visto que já tinha anunciado que se afastaria no fim do ano da presidência executiva. Abaixo se vê fotos da eleição. Dezenas de ônibus que transportavam votos de cabresto, sendo que o mais forte celeiro era Santa Maria, cujo gerente era o atual presidente executivo, o Cel. Renk, homem de confiança para arrebanhar o maior contingente de votos de cabresto.
 
 Com a saída de Iese, assumiu a presidência do GBOEX o coronel Xavier ficando a Diretoria Executiva sob a presidência do coronel Lima Dias.
 
Em abril de 1998 concluiu-se a transição com a eleição de Lima Dias e Xavier, para Presidente e Vice do MLD, respectivamente.
 
Nas palavras de Iese, “para conduzir o GBOEX rumo ao ano 2000, com criatividade e competência”. Lima Dias, na nota “MLD – Rumo ao ano 2000”, distribuída para os associados, registrou os 17 anos de domínio do MLD: “Desde aquela época, o GBOEX tem progredido de forma extraordinária, tendo sempre sua Direção e seu Conselho Deliberativo sido escolhidos dentro da entidade que integram o MLD” e que “Hoje, o GBOEX é a empresa líder da Previdência Privada, e o MLD é o responsável por isto, não permitindo que aventureiros e interesseiros se aproveitem do patrimônio que é do Quadro Social”.
Então, não venham querer se descolar do velho comandante, do qual são todos filhos ou sobrinhos políticos, simplesmente porque ninguém entrava para o GBOEX sem lhe beijar a mão. Sou testemunha da vassalagem dessa turma.
 
Alardeiam que a situação patrimonial e financeira do GBOEX é um livro aberto, que basta consultar os relatórios no site da SUSEP. Uma observação deve ser feita sobre esta consulta de dados, pois manipulações podem enganar em vez de informar. Os dados que normalmente apresentam para os associados fica no limiar entre a estupidez e intenção de desinformar, de enganar com números. Em todas as demonstrações de saúde financeira insistem em mostrar dados para distorcer a realidade que sempre é diferente da que mostram.
 
Não interessa quanto pagou de pecúlios, R$ 145 milhões (2011) e R$ 194 milhões (2012). O que interessa é o Resultado Operacional que resulta ao abater de Rendas de Contribuição, as Variações de Provisões, o Pagamento de Pecúlios, as Despesas Administrativas e de Comercialização e os Tributos. E este resultado, no caso do plano majoritário, tem sido sempre negativo, comprometendo “o resultado positivo dos outros produtos da entidade” e os “seus resultados financeiros e patrimoniais”, conforme registrou a SUSEP (in, Termo de Diligência Fiscal SUSEP/DEFIS/GRFRS No. 007/2005, 30/5/2005).
 
Exemplo da manipulação com base nos dados que foram informados à SUSEP (abaixo): em 2012, pagaram R$ 101 milhões, arrecadaram R$ 44 milhões e contabilizaram um déficit de R$ 38 milhões que será coberto pelo patrimônio. Ou seja, o GBOEX confessa que o plano Taxa Média causará uma perda patrimonial de R$ 546 milhões, até o ano de 2020 (basta somar a linha déficit). Por isso é que o GBOEX está expulsando os milhares de associados com reajustes ilegais.
 
Outro exemplo desta grosseira manipulação: alardeiam que os Ativos totais do Grupo GBOEX tiveram uma expressiva evolução, de R$ 270 milhões (1998) para R$ 470 milhões (2012). E daí? Em balanço, os Ativos totais são iguais aos Passivos totais. O que interessa é o Patrimônio Líquido e a Liquidez que, no caso,
 
GBOEX
Patrimônio Líquido
Liquidez
1998
190.146.849,00
     56,45
2012(nov)
94.944.088,00
       1,44
Enganam uma massa de associados que sempre acreditou nos companheiros que dirigem a entidade. Uma massa com a média de idade passando dos 80 anos. Um dos e-mails que recebi de colegas do meu irmão (AMAN/64), em que comentam as informações que tenho prestado e as que ouvem do presidente executivo do GBOEX, seus colega de turma, toma partido Sou franco, confio muito mais no Velho Renk do que no Péricles”. E não é qualquer um, não, trata-se de um general. Estou contando isso para que vejam a desinformação que provocam. Mentem, distorcem, caluniam, difamam pela falta de argumentos e acabam contaminando companheiros que ainda reconhecerão o mal que este grupo que comanda o GBOEX, desde 1981, causou e causará ao Exército e a milhares de militares e civis que acreditaram em nós.
 
E arrogantes, depois de despejarem números para enganar, perguntam: “será que o GBOEX está falido? Será que está sendo mal administrado?”.
 
Mal administrado, eu nunca tive a menor dúvida, o que, aliás, acaba de ser confirmado pelo parecer de uma Procuradora da República que ao analisar a representação que fiz e as manifestações de GBOEX e SUSEP concluiu que seria injusto onerar os associados por problemas de má gestão: “Vislumbra-se que o plano de pecúlio que a GBOEX não corre risco de insolvência desde agora, ou recentemente, mas sim desde que começou a comercializar apólices de seguro que não teria como adimplir, sendo desrazoado premiar uma má gerência administrativa onerando consumidores inocentes e vítimas de uma prática contratual patológica”. (Procuradora da República Silvana Mocellin, ICP 20/2010-97. fl. 214).
 
Será que o GBOEX está falido? O que posso dizer é que, para não comprometer mais o patrimônio do GBOEX (perdas de uns R$ 400 milhões) a SUSEP apontou como única saída “sacrificar o produto” plano Taxa Média com a expulsão dos associados o que, aliás, já começou. E diz mais a SUSEP: à medida que for aumentando a velocidade da expulsão, mais reajuste será necessário o que vai gerar uma espiral que vai acelerar até a “expiração do produto”, ou seja, o calote geral.
 
Eu monitoro a solvência do grupo GBOEX (GBOEX e Confiança) com gráficos que mostram a evolução do PL e do PNO. Segundo a lei “O patrimônio líquido (PL) não poderá ser inferior ao valor do passivo não operacional (PNO)”. Cada vez que isso ocorre a entidade deve reforçar o seu Patrimônio Líquido.
 
Abaixo os gráficos (até Nov/2012) da CONFIANÇA, do GBOEX, e do Grupo GBOEX que é a composição dos anteriores. Na primeira ocorrência em que o Passivo Não Operacional ficou maior do que o Patrimônio Líquido (PNO >PL), o GBOEX transferiu a metade dos seus imóveis de renda para a CONFIANÇA que os reavaliou pelo dobro e incorporou para vender (vide Fraude ao credor).
 
Note-se que a transferência da metade dos imóveis do GBOEX ainda não foi suficiente, pois voltou a insolvência em outubro/2009 (PNO >PL) situação que já perdura por três anos e a SUSEP não fez cumprir a lei.
 
Os gráficos do GBOEX e do Grupo GBOEX apontam uma preocupante convergência com a queda do PL.
 
Sobre o reajuste da contribuição, eles passam por cima do parecer do MPF que considerou ilegal e dão um encerra assunto citando um artigo da lei que dispõe sobre o regime de previdência privada. O citado artigo reza que “Os planos de benefícios atenderão a padrões mínimos fixados pelo órgão regulador e fiscalizador, com o objetivo de assegurar transparência, solvência, liquidez e equilíbrio econômico-financeiro e atuarial”, isso eles não cumprem desde o início quando assumiram sabendo da inconsistência atuarial do plano, não liquidaram e continuaram enganando milhares de associados. Parecer do MPF considera ilegal este reajuste (vide Os coveiros do GBOEX).
 
Na verdade, a razão de toda essa apelação é retirar o foco de cima da realidade que está aflorando e que o Renk não tem o que argumentar. O que os associados querem é que a entidade se manifeste sobre:
 
a.            O GBOEX vem enganando os sócios, desde a comercialização do plano de pecúlios, nos anos 60;
b.           A ilegalidade dos reajustes na contribuição o que está gerando uma saída em massa de sócios, causando irremediáveis prejuízos para sócios e a imagem institucional do Exército e dos militares. Quantas exclusões já foram processadas, a partir de 2010?
c.            A transferência da metade dos imóveis do GBOEX para a CONFIANÇA;
d.           MPF sugere que a SUSEP intervenha no GBOEX;
e.            Irregularidade na comercialização do produto Vida Longa GBOEX: uma massa de associados de idade avançada está sendo assediada por corretores alimentados pelo cadastro fornecido pelo GBOEX (Golpe Mortal);
f.             Reclamações sobre atrasos no pagamento de pecúlios (ReclameAqui) o que leva beneficiários a explosões de indignação do tipo esta instituição podre, dirigida por milicos podres!” o que compromete, não só aqueles que dirigem o GBOEX, mas todos os militares.